terça-feira, 1 de novembro de 2011

Alfabetização Tecnológica do Professor

Alfabetização Tecnológica do Professor

O conceito de alfabetização tecnológica do professor dos ensinos fundamental e médio é um tema atual e complexo e contribui para a atribuição de significado e amplitude ao processo de preparação do professor no que se refere ao mundo da tecnologia, e poderá servir como base para que cursos de formação de professores orientem a prática pedagógica deste profissional no tocante à sua relação com a sociedade tecnológica.
As tecnologias foram cada vez mais se aperfeiçoando ao longo do tempo, e a escola, como instituição responsável pela formação básica do cidadão, precisa também se fazer uma autocrítica sobre este assunto, pois já que cercados estamos pelas tecnologias e pelas mudanças que estas acarretam no mundo, precisamos pensar em uma escola que forme cidadãos capazes de lidar com o avanço tecnológico, participando dele e de suas conseqüências. Porém, sabemos que esta capacidade se forja não só através do conhecimento das tecnologias existentes, mas também, e talvez principalmente, através do contato com elas e da análise crítica de sua utilização e de suas linguagens.
Para tal tarefa, a escola e seus profissionais devem se apropriar do conhecimento sobre estas tecnologias, tanto daquelas mais ligadas à comunicação em massa, como as que já se convencionou usar perante a educação (Leite, 1994), ou ainda das tecnologias que servem a variados fins e que podem, na medida do possível, ser utilizadas pedagogicamente.
O papel da educação deve voltar-se também para a democratização do conhecimento, produção e interpretação das tecnologias, suas linguagens e conseqüências. Porem torna-se necessário preparar o professor para utilizar pedagogicamente as tecnologias na formação de cidadãos que deverão produzir e interpretar as novas linguagens do mundo atual e futuro. É este o sentido de defender a necessidade da alfabetização tecnológica para o professor e, sabemos que a alfabetização tecnológica não pode ser compreendida apenas como o uso mecânico dos recursos tecnológicos, mas deve abranger também o domínio crítico da linguagem tecnológica.
Hoje se discute o avanço tecnológico, com suas transformações, ou como é referido por alguns autores, utilizando-se dos termos “transição” e “revolução tecnológica”, definindo este momento histórico.
Há um cabedal de aplicações para as novas técnicas surgidas. Como exemplo, cito alguns: automação industrial, informatização de serviços financeiros e administrativos entre outros.
A grande preocupação dá-se à área da educação, que busca um posicionamento entre tentar entender as transformações, repassando o conhecimento pedagógico, auxiliando o homem a ser sujeito da tecnologia.
Os entendimentos sobre a revolução tecnológica nos remetem ao paradigma entre homem e tecnologia, baseando-se na tentativa de diferenciar a sociedade industrial da sociedade atual. O trabalho primordial dos educadores, é o de formar homens críticos, que não assimilem de forma passiva a situação excludente, que o avanço pode trazer, tendo como base a selvageria capitalista.
Após a Segunda Guerra mundial, percebemos uma aceleração no desenvolvimento tecnológico, modificando a sociedade, quebrando com antigos conceitos, enraizando-se principalmente na forma dinâmica apresentada nos meios de comunicação.
Há de se salientar, a eliminação das barreiras físicas e temporais, facilitando a troca de ideias, que em contra partida, fomenta a manutenção do modelo capitalista. Milton Santos já fazia referência a globalização, tendo como pano de fundo, o estreitamento das relações de capital. Esta quebra de barreiras, propiciam o entendimento holístico, representado pela análise macro, não mais isolada.
Ainda seguindo na questão da tecnologia da comunicação, em um trecho, há a referência sobre a citação de Eles e Moran (1992), pondo a linguagem  imagética dos meios eletrônicos, mais apreciável aos jovens, do que a linguagem escrita. Os educadores devem perceber esta variante, trabalhando este contexto de forma a entender que há uma nova cultura audiovisual, urbana, que se expressa deforma dinâmica, possuindo várias faces.
Vimos que as inovações tecnológicas têm produzido transformação na organização social do trabalho, atingindo toda a sociedade, tornando-se prioridade estar inserido nova realidade, alterando o perfil do novo trabalhador exigido no mercado competitivo atual. Neste aspecto encontramos a contradição veemente, ditando a necessidade da preparação educacional, introduzindo e preparando este trabalhador para a disputa no mercado globalizado e capitalista, ao mesmo tempo que instiga a visão crítica capacitando-o ao pensamento desalienador, visando formar um “ser” social.
A educação pode ser entendida como uma condição social, influenciada pelas demais condições sociais, tendo a escola o papel político, comprometida com a luta contra as desigualdades sociais, transformando-se em espaço que proporciona o conhecimento visando proporcionar uma melhor condição de vida, almejando uma construção social mais ampla.
Em teoria a escola não pode restringir-se, tão pouco, ficar à margem das mudanças, impostas pela evolução tecnológica, trabalhando incessantemente para minimizar as desigualdades, utilizando-se de conceitos inovadores e práticas educacionais destinadas a promover a reflexão crítica, contando com educadores preparados, interessados na inclusão, não apenas formadores de mão de obra, mas sim, na formação de homens livres, possuidores de senso crítico, engajados na melhoria social.

Um comentário:

  1. Gostei muitíssimo de como você abordou esse assunto que é tão atual e ao mesmo tempo ainda tão mal tratado por muitos educadores. O saber em tecnologias vai muito além de usa-lo, é usa-lo de forma racional, é ter domínio sobre as tecnologias e não ser dominado por ela. Muito bem colocado "...não apenas formadores de mão de obra, mas sim, na formação de homens livres, possuidores de senso crítico engajados na melhoria social".

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