terça-feira, 20 de setembro de 2011

O Mundo Globalizado Visto Pelo Lado de Cá

Uma hora e vinte e seis minutos.
Sim!
Foi este o tempo de duração do vídeo Encontro com Milton Santos, intitulado “O Mundo Global Visto do Lado de Cá”.
Uma hora e vinte e seis minutos, onde novamente percebi que Milton Santos trabalha conceitos inatingíveis, até mesmo para ele.
O mundo de hoje é apenas um momento do longo desenvolvimento histórico. A esperança sempre foi uma das forças dominantes das revoluções.
A primeira grande frase refere-se a clarividência, ou melhor explicando, somos capazes de identificar o futuro, através do cabedal de informação adquirida.
Através do entendimento propiciado pelo estudo do conceito Globalização, entenderemos:
·         Globalização vem com a conquista, em suas mais variadas esferas;
·         O primeiro ato de globalização ocorreu no colonialismo, caracterizando-se pela ocupação territorial;
·         O segundo ato começa no fim do século XX, marcado pela fragmentação dos territórios.
Milton refere-se ao desmonte do estado de “bem estar social” e apregoa o consumo como grande fundamentalismo.
Nesta parte ocorre a primeira grande contradição. Explico o motivo:
- No iniciar da entrevista, Milton se diz um dos poucos intelectuais, totalmente livres para pensar, visto não seguir nenhuma ideologia, religião, doutrina, partido e etc..., só que neste instante, diz-se ser marxista não ortodoxo.
Há uma análise sobre desenvolvimento. Ele ainda fala em 3º mundo, um conceito ultrapassado, porém perdoado, já que a entrevista desenrola-se há quase 10 anos atrás.
O que importa é sua divagação sobre os três mundos:
·         O mundo tal qual como fazem vê-lo;
·         O mundo tal qual ele é;
·         O mundo como ele pode ser.
Para variar, segue sua crítica sobre a Globalização, determinando-a como perversa, além de determinar a crise financeira como único objeto de estudo.
Nesta parte do vídeo, faz-se um city tour, pela América Latina, mostrando fatos marcantes da luta do proletariado contra as privatizações. Percebe-se sempre a determinação quantitativa da porcentagem de índios e mestiços.
Há fatos pitorescos, como o exemplo da entrevista com o líder sindical Sérgio Quiroga, defendendo a não privatização dos hidrocarbonetos em El Alto. Se observarmos bem, ele usa um boné com a inscrição Alaska Marine Lines. Interessante o conceito de lutar contra o estrangeirismo.
Trazendo a discussão para os dias de hoje, basta ver no que resulta o nacionalismo tipificado nas presidências de Evo Morales e Hugo Chaves.
Só mais uma observação curiosa.
Quando da apresentação do Economista Joseph Stiglietz, chefe na época, do Banco Mundial, percebe-se que em seu “púlpito”, há um símbolo com referência Maçom.
Eu me apego nestes detalhes, para não surtar com o Milton Santos.
Segue como de costume, as divagações e paradigmas. Neste ponto ele retrata a dualidade globalização x território, bem como os “que não dormem x os que não comem”.
É comentada também a questão do ouro azul, ou seja, a escassez de água que atinge o mundo.
E eis que surge a melhor frase de todo o documentário. Ela foi proferida por um Escritor Senegalês, que faz referência a energia desprendida pelos jovens africanos, para ingressar na Europa. Ele questiona o porquê dos jovens não usarem da mesma energia para mudar a própria África.
Milton Santos é excelente em criar palavras e frases de efeito.Nesta parte ele cita o globalitarismo, em suma, a globalização totalitária. Nesta parte eu quis arrancar meus olhos e furar meus tímpanos. Não adianta, não mudo minha opinião sobre a forma apresentada por Milton Santos.
Voltamos para o Brasil, e agora é apresentada a realidade indígena, e como a globalização afeta. Minha parca capacidade de raciocínio determina um pré-julgamento.
- É fácil entender o motivo da vida precária, que acomete o povo indígena em evidência na filmagem, basta pensar que enquanto procura-se entrar em comunhão com as realidades tecnológicas, evoluindo junto com o mundo, observam-se Índios com um bambu enfiado na boca, emitindo um som chato, participando de um rito, só que em sequência tem-se a entrevista com um líder indígena chamado Ailton Krenak e, na mão deste índio, percebe-se uma aliança de casamento.
Em momentos, os indígenas são atrelados a costumes ultrapassados, ao mesmo tempo em que adquirem o consumismo do branco.
Não tem como dar certo.
Faz-se uma referência a uma índia chamada Raimundinha Yawanawá. Simplesmente linda..
Vou fazer como o Milton faz, e lançar uma palavra nova. A globaritualização.
Outra parte interessante, para aprendermos como “não” fazer um documentário, refere-se aos rappers de Brasília.
Eles cantam o cotidiano, e como disse Adirley Queiros, eles se apropriam da cultura de massa.
Entendo que há uma discriminação nas frases proferidas.
“Sou negão.”
“Sou Ceilândia e não de Brasília.”
Da forma que foi dita, percebe-se uma raiva velada.
Um fato interessante é que o mais articulado politicamente falando, mostrando preocupação com o Brasil, ostentava uma camiseta com o dizer: Celebration.
Em outro momento, na sala onde encontravam-se os rappers, via-se ao fundo, LP’s de bandas americanas.
Somam-se estes fatos, á frase lançado por um dos músicos, que reclama de quem chama aquele estilo de música, de Black Music, ao invés de música negra, chego a seguinte análise.
- Hipócritas.
Milton Santos disse que após o período tecnológico, o futuro reserva a condição da cultura de massa. A moda no futuro será a cultura popular. Daí aparece um grupo teatral de Japeí-RJ, encenando o Lobibicha ( segundo o próprio ator, que encenava este licantropo homossexual). Acredito que ocorreu um engano de análise por parte de Milton.
A parte mais interessante desta apresentação refere-se a China.
De certa forma é colocada como traidora da causa comunista, mas se percebermos que o interesse é afetar o Ocidente, eu entendo que a China está promovendo seu grande objetivo.
A Economia Global anda cambaleante e, em grande parte, pela concorrência desleal, que os produtos chineses oferecem. Não acredito que a China de hoje, será a mesma do amanhã.
O vídeo encerra-se com a análise de Milton Santos, após aparecerem conteúdos referentes aos sem-teto, turismo na favela e a visita do proletariado ao shoping.
Temos então um grande conceito proferido pelo célebre Geógrafo:
 Globalização produz globalitarismo.
Minha vida se divide antes e depois desta profética afirmação.


4 comentários:

  1. http://www.youtube.com/watch?v=-UUB5DW_mnM&feature=colike

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  2. Vi o excelente doc do Tendler ateh os 49 min, e coletei bastante informação relevante.
    Mas sua critica, de nada vale, demonstra apenas sua esclerose, que vc esta precisando ler mais sobre hibridismo cultural.
    Tua neura com os "estrangeirismos" é patética, demonstra q vc desconhece que as linguas são dinamicas, se desenvolvem atraves de variados processos e apropriações.
    Soh concordo contigo quanto a Raimundinha, linda demais.

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  3. Baixar o Documentário - Encontro com Milton Santos ou O Mundo Global Visto do Lado de Cá - http://mcaf.ee/qigb0

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  4. Realmente achei estranho ver Milton Santos se dizendo livre de rótulos. Afinal queira ele ou não iria acabar rotulado em algum lugar. Mas a pesar disso, achei as críticas do blog bem improdutivas. Que o documentário não é perfeito não há dúvidas. Mas com certeza traz uma boa reflexão a muitas pessoas. O autor do blog preferiria que o doc simplesmente não tivesse sido feito? Não entendo a finalidade de um post como esse.
    No doc, a crítica que se faz no momento da entrevista com Sergio Quiroga era a respeito do neoliberalismo e da receita passada no Consenso de Washington. Qual seu objetivo ao criticar isso? Por acaso defende a bula deles? A crise nas economias sul-americanas não foi prova suficiente de que aquele não era o caminho?
    Também sua crítica aos indígenas e aos rappers de Brasília me parece totalmente despropositada. Aos índios porque não sugere nenhuma outra forma de abordar a integração deles ao nosso momento histórico e aos rappers porque exige uma postura perfeita de quem evidentemente não vive em condições perfeitas. Sim eles mostram uma raiva velada. Sim tem pensamentos questionáveis. Mas o doc serve para exibir a quem não os conhece a realidade deles. Ninguém está propondo usa-los como modelo ideal. Por fim, assim como o Anderson acima, só posso concordar com o que foi dito sobre a índia Raimundinha Yawanawá. Essa mulher deve ter encantado todo marmanjo que assistiu o doc.

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