quinta-feira, 1 de setembro de 2011

O que li e o que aprendi...Parte 3


O SERTÃO VAI VIRAR MAR...
AVALIAÇÃO E GESTÃO AMBIENTAL NA BARRAGEM DE TUCURUÍ, AMAZÔNIA
                                                          
O processo de avaliação e gestão ambiental da barragem de Tucuruí é particularmente interessante por vários motivos.
1º- Devido problemas de análise e gestão colocados pela implantação de uma obra gigantesca numa região como a Amazônia, marcada pela fragilidade do meio ambiente e pela complexidade  da dinâmica de sua ocupação.
2°- Os estudos prospectivos do setor elétrico brasileiro indicam a necessidade de se intensificar a utilização do potencial hidroelétrico amazônico nos próximos 30 anos.
3º- Há uma percepção crescente da importância estratégica da região para o desenvolvimento brasileiro das próximas décadas, bem como das repercussões das decisões setoriais sobre as opções sociais globais no uso dos recursos amazônicos.
Obs: O choque petrolífero dos anos 70, revelou-se a necessidade de obtenção de outra forma de geração de energia. A alternativa hidroelétrica foi privilegiada. Percebe-se o aumento progressivo das distâncias entre a localização do potencial hidroelétrico e os centros de consumo e uma distribuição espacial desigual dos custos e benefício socioeconômicos e ambientais do projeto.
Na época da construção de Tucuruí, o quadro social da região era marcado por transformações aceleradas e dramáticos conflitos envolvendo antigos habitantes ( índios e populações ribeirinhas), posseiros, grileiros, madeireiros e grandes fazendeiros. As disputas pela possede terras representam visões antagônicas desses atores sociais quanto ao desenvolvimento da região em relação a diferentes aspectos.
Para situar, Tucuruí localiza-se no Rio Tocantins, cerca de 300 Km ao sul de Belém do Pará.
Quando da construção de Tucuruí, levou-se em conta apenas os custos referentes à construção da obra e equipamentos da usina. Os estudos de viabilidade nãoenvolveram uma estimativa dos custos socioeconômicos e ambientais da implantação de ummegaprojeto na região.

AVALIAÇÃO DE IMPACTOS AMBIENTAIS DE TUCURUÍ

A avaliação ambiental de Tucuruí foi realizada entre 1977 e 1984 e tiveram a iniciativa da Eletronorte.
Alguns pontos questionados:
- inundação da floresta;
- aumento de doenças endêmicas de veiculação aquática;
- efeitos sobre a flora e a fauna;
- proliferação de aguapés;
- reassentamento das populações ribeirinhas e dos grupos indígenas.
Há um projeto interessante sobre a degradação da biomassa, elaborado pelo INPA (Instituto Nacional de Pesquisas Amazônicas).
O INPA, juntamente com outras instituições, elaboraram os estudos ambientais e, formularam diversas recomendações, entre elas a multidisciplinidade na análise, atividades de acompanhamento,medidas de atenuação ou eliminação de impactos negativos e medidas de compensação  e substituição.
Os impactos sociais foram objeto de um tratamento à parte. Em suma....foram negligenciados.
Buenas...
...a simples realização de estudos ambientais não é suficiente para garantir uma gestão adequada e eficiente do meio ambiente. Para tal, é importante examinar o modo como são utilizados os resultados da avaliação ambiental, em função da capacidade de resposta das instituições e dos atores sociais envolvidos às recomendações desses estudos.
Finalmente, os estudos realizados não consideraram os impactos do empreendimento sobre o contexto social e econômico regional provocados pela alteração das relações homem-natureza. No entanto, as interações entre os diferentes grupos socioculturais e seu meio ambiente enquanto meio de vida e de produção são fundamentais numa região cuja economia se caracteriza pelo extrativismo e pela atividade agropecuária. Com efeito , a construção da barragem de Tucuruí provocou profundas transformações na paisagem regional. Um exemplo éa abertura de estradas, que permitiu a penetração de um grande contingente populacional na região, atraído pela oferta de empregos na construção da obra. Essa imigração, somada ao deslocamento das populações ribeirinhas das áreas inundadas, provocou um processo acelerado de ocupação das margens e ilhas do reservatório. Além disso, a exploração da madeira, a caça e as atividades agropecuárias exercem pressões intensas sobre as reservas naturais da Eletronorte em torno do reservatório; com a falta de uma fiscalização eficiente, essas reservas praticamente desaparecem enquanto áreas de preservação ecológica.

Importante..
...dois critérios básicos devem ser considerados nessa análise: o da adequação e eficiência das medidas propostas e o da eficácia de sua implantação.
Observe um exemplo...
..a remoção da vegetação da área do reservatório poderia atenuar ou eliminar vários impactos negativos da inundação da floresta, tais como a acidificação das águas do lago e a proliferação do mosquito e plantas aquáticas, também favorecer o uso múltiplo do reservatório para a navegação, pesca e atividades de lazer. Além da possibilidade de exploração comercial da madeira, com benefícios econômicos adicionais.
A falta de coordenação, incapacidade técnica, irregularidades administrativas, desvio de verbas, são alguns dos fatores que prejudicaram a correta execução do que havia sido levantado pelo estudo dos impactos ambientais.

AS LIÇÕES DA EXPERIÊNCIA DE TUCURUÍ

Passados vários anos desde o enchimento do reservatório, a mudança da paisagem no entorno de Tucuruí é dramática: a maioria das terras ao longo das estradas foi transformada em pastagens; as margens e ilhas do reservatório estão sendo desmatadas para a extração de madeira ou ocupação por posseiros.
Os impactos ambientais, previstos ou inesperados se, multiplicam e se ampliam; os colonos abandonam suas terras, expulsos pela proliferação descontrolada de mosquitos; a degradação da qualidade das águas a jusante afetou a pesca, a agricultura das várzeas e o abastecimento das comunidades locais.
As oportunidades econômicas criadas pela formação do lago foram pouco exploradas.
Em resumo, o projeto de Tucuruí, em si, pouco contribuiu para o desenvolvimento da comunidade regional, apesar de sua importância para as estratégias econômicas regionais.






EXPERIÊNCIAS BRASILEIRAS EM GERENCIAMENTO DE QUESTÕES AMBIENTAIS
ESTUDO DE CASO DA CVRD (COMPANHIA VALE DO RIO DOCE)

Perspectivas históricas da empresa ou da região
A CVRD foi fundada em 1942 e é subordinada ao Ministério da Infra-estrutura.
Sua área de atuação engloba produção, processamento e beneficiamento comercialização, transporte e marketing de matérias-primas,bem como a intermediação de mercadorias para a industria de transformação, tanto nacional como internacional.
Atua no ramo de minério de ferro, grãos de chumbo, manganês, ouro, bauxita, alumínio, madeira e celulose, bem como nos setores de transporte marítimo e ferroviário,inclusive para terceiros.
Opera em 7 Estados brasileiros: Pará, Maranhão, Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Mato Grosso.
Há uma contribuição significativa dos lucros líquidos anuais para o desenvolvimento dos Estados dos quais provêm seus recursos.

A meta de produção inicial era de 1,5 milhão de toneladas por ano. Essa meta foi atingida em 1952. Através da constante melhoria de produtividade e desenvolvimento tecnológico alcançamos o patamar de 73,3 milhões de toneladas em 1985, 81,6 milhões em 1989....
Vou pesquisar os dados referentes a 2010.....
A empresa detêm os direitos de extração dos seguintes minerais: bauxita, ouro, cobre, cassiterita, níquel, tungstênio, fosfato, carvão, titânio e nióbio.

ALGUNS PROBLEMAS AMBIENTAIS LEVANTADOS

Impactos socioeconômicos e ambientais em suas instalações industriais, no ar, água, solo e população em geral, verificados em áreas como a Mata Atlântica, floresta Amazônica, caatinga e áreas úmidas do Pantanal.
No caso de Carajás, situado no coração da região de floresta nativa, a construção da ferrovia e sua operação criaram problemas incontroláveis nessa área de influência, tais como especulação imobiliária e violência rural, pratica do desmatamento, agricultura itinerante, exploração do solo e produção do carvão vegetal com o propósito de fornecer a fundidores locais de ferro-gusa, em um processo caótico e controlado precariamente.

TECNOLOGIA: ENDÓGENO x ADQUIRIDAS
As tecnologias utilizadas pela engenharia ambiental com relação a minério de ferro, alumínio, cobre,manganês e ouro adotam processos nacionais, quando disponíveis .
Na área da floresta, a maior parte do conhecimento provém da comunidade científica nacional, apoiada por cientistas estrangeiros, de órgãos ambientais; CWS(Serviço Canadense de Vida Selvagem), WWF(Fundo Mundial de Vida Selvagem), Jardim Botânico de New York,Kew Gardem,várias universidades americanas, européias, australianas e orientais.
Estranho né...??
Vamos divagar sobre a perda de mineral pela erosão por ventos,nas operações de manuseio, armazenamento e transporte, é relevante do ponto de vista econômico e ambiental. A CVRD percebeu essa importância nos anos 70, quando realizou estudos a fim de adotar medidas técnicas e econômicas viáveis. A primeira fase da avaliação apresentou algumas dificuldades: a perda foi avaliada por um processo de simulação em túneis de vento. Para os vagões, foi desenvolvido um sistema de avaliação cúbica. A solução foi o uso de aglutinadores à carga sendo usado a dextrina e a glicose(derivada de amido), além da cal hidratada no caso do transporte de minério de ferro.
Estes procedimentos minimizaram o reflexo ambiental (influência ao longo da ferrovia) e ocupacionais. A freqüência de quebra de máquinas diminuiu significativamente após a implantação do sistema de contenção para minerais finos.

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